Holohacking

Como uma Revolução Mental imediata é necessária para salvar a humanidade de um colapso iminente e impulsioná-la a um estágio superior da sua evolução enquanto espécie.

O ano de 2021 – para a maioria dos seres humanos comuns do planeta Terra – começou da mesma forma que terminou o de 2020: esquisito, imprevisível e desconexo. Sim, pois, apesar de termos uma vacina produzida em tempo record – como nunca antes na história e graças aos esforços sem tamanho dos cientistas -, a verdade é que nossas vidas não voltaram e nem voltarão ao dito “normal” (entendendo-se “normal” aqui como sendo todo comportamento automático que repetimos diariamente sem darmo-nos conta).

A parte esquisita deve-se à nossa estranheza e dificuldade em aceitarmos e sabermos lidar com tudo o que foge ao padrão nas nossas vidas, pois os nossos cérebros foram programados geneticamente, ao longo de milhares de anos de evolução, para operarmos no mais alto modo de economia de energia, e, neste sentido, a criação de atalhos mentais (crenças) e comportamentos padronizados (hábitos) representam a famosa “via de menor resistência” das nossas ações. Por outras palavras, a preguiça, antes de ser considerada um pecado capital, já era uma estratégia evolutiva de economia de energia para a sobrevivência.

Acontece, porém, que o mundo e a vida são imprevisíveis por natureza, logo, são também “inimigos naturais” desta programação biológica a qual todo ser humano está submetido, o que representa um conflito constante entre a busca por estabilidade (homeostase) e a tendência natural ao caos (entropia). Mas nem tudo é apenas tragédia, o desconforto da incerteza é também o pai da criatividade. Afinal, não seríamos capazes de construir computadores quânticos no mundo moderno – ou uma vacina em tempo record – sem que antes os nossos antepassados mais “primitivos” tivessem percebido que esperar uma quantidade “certa” de alimentos numa colheita “garantida” era muito mais vantajoso do que continuar a se submeter aos perigos e incertezas de uma vida nômade de caçadores e coletores.

A parte desconexa dessa história toda é que ao longo dos tempos nos habituamos – ingénua e equivocadamente – a buscar compreensão e solução para os problemas de um ser biológico – sim o ser humano ainda é um animal! – sem levar em consideração aquilo que determina 99% do seu comportamento: a sua biologia! E, embora as ciências sociais clássicas como a Filosofia, a Antropologia e a Psicologia tenham dado contribuições inestimáveis à humanidade, hoje, já não se pode dizer que sejam suficientes para “apontar” um caminho eficaz para solucionar problemas humanos que têm uma origens muito mais profundas.

Neurohacking is the new sexy

Os avanços conseguidos no campo da compreensão dos comportamentos humanos, graças às descobertas feitas nas últimas décadas pelas mesmas Ciências Biomédicas que produziram a tal vacina em tempo record, permitem-nos ter hoje a oportunidade de dar um salto evolutivo (necessário!) que nossos antepassados não tiveram: vencermos comportamentos animalescos disfuncionais através da compreensão do que somos e de como funcionamos!

Se ao longo da nossa história enquanto espécie fomos capazes de aumentar a nossa força física utilizando objetos como ferramentas e armas, ou de obtermos um melhor rendimento calórico dos alimentos cozidos ao fogo e, assim, expandir a parte criativa do nosso cérebro; em períodos mais recentes dessa nossa história, dominar a agricultura, criar máquinas a vapor e microchips com alto poder de processamento computacional não nos permitiram resolver o maior dos nossos problemas: nós próprios, ou melhor, aquilo que pensamos ser!

Olhar mais profundamente e enxergar em 360 graus as diversas camadas que compõem as nossas vidas nos permite hackear este sistema complexo e historicamente mal compreendido, visto que ainda no século XXI temos que conviver com pandemias mais “silenciosas” de depressão, ansiedade, violência doméstica, racismo, guerras e fome.

Um novo rumo é possível – e necessário! – para impedirmos o provável colapso da humanidade enquanto espécie. O desafio está alcançarmos uma massa crítica de pessoas que despertem para a compreensão da sua própria natureza, aprendam a utilizar os seus dons naturais e talentos adquiridos em sintonia com o conhecimento científico já disponível e estabeleçam uma rede de conexão autoconsciente ao redor do mundo.

O passado deve ser visto como um referência (e apenas isto!) e o futuro, como uma consequência das decisões e compromisso que assumimos hoje. Há conhecimento, há tecnologia e há recursos, usemos então aquilo que nenhum supercomputador ainda foi capaz de reproduzir: a criatividade de um cérebro humano!

Bem-vindo ao futuro, Neurohacking is the new sexy!

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